Católica Nursing Community – Percursos com Impacto: Anabela Santos

Sexta-feira, Março 13, 2026 - 11:35

“A UCP não me ensinou apenas conteúdos científicos; ensinou-me a pensar criticamente, a fundamentar cada decisão clínica e a assumir a responsabilidade ética inerente ao cuidar.”

Entrevista a Anabela Pereira Santos, que concluiu o Bacharelato em Enfermagem em 1998 pela Escola Superior de Enfermagem Imaculada Conceição, instituição que viria mais tarde a integrar o Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa no Porto.

Em 2008 regressou à Universidade Católica Portuguesa, onde concluiu o Mestrado em Enfermagem, com especialização em Enfermagem Médico-Cirúrgica.
É Enfermeira Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica e conta com um percurso profissional marcado por mais de duas décadas de experiência clínica, particularmente em contexto de urgência. Ao longo do seu percurso, manteve também uma ligação próxima à Universidade Católica Portuguesa, tendo colaborado como professora assistente convidada entre 2007 e 2014, orientando estudantes em ensino clínico e lecionando aulas práticas na Licenciatura em Enfermagem.

Atualmente exerce funções numa Unidade de Hospitalização Domiciliária, onde desenvolve trabalho diferenciado, com especial enfoque na área dos Acessos Vasculares Avançados e na gestão do património vascular.


 
O que mais a marcou na sua passagem pela Universidade Católica Portuguesa?

Para Anabela Santos, o regresso à Universidade Católica Portuguesa representou um momento de consolidação profissional e de aprofundamento do pensamento crítico, num ambiente académico exigente, próximo e orientado para a responsabilidade ética do cuidar.

“Em 2010 quando regressei à escola - Universidade Católica Portuguesa no Porto - reencontrei docentes que tinham marcado o início do meu percurso profissional, mas agora numa perspetiva mais diferenciada e profissionalizante, consolidando competências avançadas e aprofundando o pensamento crítico.
A UCP não me ensinou apenas conteúdos científicos; ensinou-me a pensar criticamente, a fundamentar cada decisão clínica e a assumir a responsabilidade ética inerente ao cuidar. Incutiu-me a ideia de que o conhecimento deve ser permanentemente atualizado e questionado, e que a prática de enfermagem só é verdadeiramente diferenciada quando assenta na evidência e na reflexão.
Marcou-me também a proximidade pedagógica, o rigor académico e o estímulo constante à autonomia intelectual. Senti que não era apenas uma estudante a adquirir competências técnicas, mas uma profissional em construção, desafiada a crescer, a investigar e a liderar.
Por fim, marcou-me a visão integrada do cuidar — a compreensão de que a técnica e a ciência só fazem sentido quando colocadas ao serviço da pessoa, da sua dignidade e da sua singularidade. Essa matriz humanista continua, ainda hoje, a orientar a minha prática profissional.”
 
Como é que a formação contribuiu para a sua carreira?

Ao longo do seu percurso, reconhece a formação na Universidade Católica Portuguesa como um pilar estruturante, que consolidou não só competências científicas e metodológicas, mas também uma forte consciência ética e humanista da prática de enfermagem.
“A formação na Universidade Católica Portuguesa foi um pilar estruturante do meu percurso. Proporcionou-me bases científicas consistentes, pensamento crítico e rigor metodológico, mas também consolidou em mim uma forte consciência ética e humanista do cuidar. Aprendi que a excelência não é um ato isolado, mas uma construção diária, sustentada na evidência e na responsabilidade profissional.
Se no início da minha carreira o brio se refletia sobretudo na postura e na apresentação, hoje traduz-se no compromisso com a qualidade dos cuidados, na liderança responsável, na capacitação das equipas e na procura permanente de melhoria. A formação deu-me ferramentas para questionar práticas, fundamentar decisões e implementar mudanças com impacto real na segurança e na experiência da pessoa cuidada.”
 
Que conselhos deixa aos futuros estudantes de Enfermagem?

Para Anabela, escolher Enfermagem significa assumir um compromisso exigente com o conhecimento, a ética e a humanidade, lembrando que o verdadeiro impacto da profissão se constrói na relação com quem cuidamos.
“Aos futuros estudantes e profissionais de Enfermagem deixo uma mensagem de compromisso e coragem. Escolher Enfermagem é escolher uma profissão exigente, que vos desafiará técnica, emocional e eticamente. Haverá momentos de pressão, de dúvida e de cansaço — mas também haverá momentos de profunda realização, daqueles que confirmam que estão exatamente onde devem estar.
O futuro da Enfermagem constrói-se com conhecimento, ética, humanidade e coragem para inovar. Não se limitem ao que é obrigatório: procurem compreender o ‘porquê’ por detrás de cada decisão clínica, desenvolvam pensamento crítico e nunca deixem de atualizar conhecimentos.
Acima de tudo, não percam a essência. A tecnologia evolui, os modelos organizacionais transformam-se, os contextos mudam — mas a centralidade da pessoa permanece. O verdadeiro impacto não está apenas nos procedimentos que realizamos, mas na forma como fazemos sentir quem cuidamos: seguros, respeitados, acompanhados e únicos.”
 

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