Uma trajetória entre o cuidar, a liderança e o conhecimento
“A liderança, tal como o cuidar, constrói-se diariamente, através da responsabilidade, da escuta, da confiança e da capacidade de transformar dificuldades em oportunidades de melhoria.”
Entrevista a Maria Amélia Dias Ferreira, cuja formação em Enfermagem teve início na Escola de Enfermagem da Imaculada Conceição. É especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica pela Universidade Católica Portuguesa, em Braga, mestre em Medicina de Catástrofe pela Universidade do Porto e doutorada em Enfermagem, na especialidade de História e Filosofia de Enfermagem, pela Universidade Católica Portuguesa, desde 2016. É também pós-graduada em Ciências Médico-Legais e em História da Saúde.
Ao longo do seu percurso profissional, exerceu funções em áreas como a Medicina Intensiva, a Nefrologia e a emergência pré-hospitalar. Entre 1999 e 2014, foi enfermeira responsável pela Viatura Médica e Reanimação do Hospital Pedro Hispano. Desde setembro de 2018, coordena a Comissão de Catástrofe da Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM).
Atualmente, exerce funções como Vogal do Conselho de Administração da ULSM, com funções de Enfermeira Diretora, e é Professora Auxiliar na Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa, no Porto.
O que mais a marcou na sua passagem pela Universidade Católica Portuguesa?
Para Maria Amélia Dias Ferreira, a experiência na Universidade Católica Portuguesa foi marcada pelo crescimento académico, científico e pessoal, pela partilha de conhecimento e pelas relações humanas que contribuíram para a sua visão da Enfermagem. O regresso à instituição, agora enquanto docente, representa também uma oportunidade de retribuir o que recebeu.
“A Universidade Católica Portuguesa ocupa, por isso, um lugar muito especial no meu percurso. O que mais me marcou na minha passagem pela UCP foi a oportunidade de crescer académica, científica e pessoalmente, consolidando uma forma de olhar para a Enfermagem que integra o rigor científico, o pensamento crítico e a centralidade da pessoa. Destaco também as relações humanas que fui construindo, a partilha de conhecimento e o contacto com docentes e colegas que contribuíram para enriquecer a minha visão da profissão. Mais tarde, regressar à UCP, agora enquanto Professora Auxiliar na Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem, no Porto, representa uma oportunidade de retribuir o que recebi, partilhando a experiência adquirida e contribuindo para a formação das novas gerações de enfermeiros. A UCP faz, assim, parte da minha história e da profissional que sou hoje.”
De que forma a experiência clínica contribuiu para o seu percurso profissional?
A experiência em contextos de elevada exigência clínica permitiu-lhe reconhecer a importância da preparação, da capacidade de decisão e do trabalho em equipa, particularmente perante situações críticas.
“Entre 1999 e 2014, fui enfermeira responsável pela Viatura Médica e Reanimação do Hospital Pedro Hispano, uma experiência que reforçou a importância da preparação, da capacidade de decisão, do trabalho em equipa e da organização da resposta perante situações críticas.”
Que desafios destaca no exercício de funções de liderança em Enfermagem?
Enquanto Vogal do Conselho de Administração da ULSM, com funções de Enfermeira Diretora, assume responsabilidades na liderança e governação em saúde. A valorização dos profissionais e a melhoria da qualidade dos cuidados são dimensões centrais deste desafio.
“Este desafio representa uma oportunidade de contribuir para o desenvolvimento estratégico da instituição, para a valorização dos enfermeiros e para a promoção de cuidados seguros, humanizados e centrados na pessoa. Acredito que liderar em Enfermagem implica criar condições para que os profissionais possam desenvolver o seu potencial, participar na construção de soluções e transformar o conhecimento em melhores práticas.”
Qual é a importância da ligação entre a academia e a prática clínica?
“A atividade académica constitui outra dimensão particularmente significativa do meu percurso. Enquanto Professora Auxiliar na Universidade Católica Portuguesa, procuro partilhar experiências, estimular o pensamento crítico e contribuir para a formação de enfermeiros capazes de responder aos desafios de uma sociedade em permanente transformação. Acredito que ensinar é também uma forma de aprender e que a aproximação entre a academia e os contextos da prática clínica é essencial para o desenvolvimento da profissão.”
Que importância atribui à história da Enfermagem?
A história da profissão é, para Maria Amélia Dias Ferreira, uma fonte de conhecimento essencial para compreender a sua evolução, reconhecer o contributo das gerações anteriores e preparar o futuro.
“Acredito igualmente que a história da Enfermagem é uma fonte de conhecimento para o futuro. Conhecer os caminhos percorridos permite-nos compreender melhor a evolução da profissão, reconhecer o contributo de quem nos antecedeu e projetar uma Enfermagem mais preparada, reflexiva e capaz de responder aos desafios contemporâneos.”
Que mensagem deixa à comunidade de Enfermagem?
“À comunidade de Enfermagem, deixo uma mensagem: valorizemos o conhecimento, a investigação, a memória da nossa profissão e a capacidade de inovar, sem perdermos aquilo que dá sentido ao nosso trabalho — a pessoa e a dignidade de cada vida que cuidamos.”